João Domingues viajou neste início de 2020 para a América do Sul tendo só por uma vez jogado o quadro principal de um torneio ATP fora de Portugal. Quando embarcou em terras lusitanas tinha previsto jogar a fase de qualificação de 4 torneios desse nível, numa incógnita total, correndo o risco de acumular um prejuízo pesado para a época (as viagens para este continente são custosas).
O tenista natural de Oliveira de Azeméis abdicou do último torneio por pequenas mazelas, mas somou mais dois quadros principais e uma inédita 2.ª ronda num ATP 500. É mais um passo dado no circuito ao qual se somará o melhor ranking de carreira com a entrada no top-150 pela primeira vez.
Estes resultados foram alcançados ao lado de uma parceria inédita com o treinador argentino César Chiappari que falou em exclusivo ao Ténis em Português. Uma conversa muito interessante com o técnico que levou Nicolas Jarry do top-300 ao top-100 em menos de um ano em 2017.

Esta feliz história esteve quase… para não acontecer. “A ligação com o João [Domingues] começou porque eu tenho uma grande amizade com o treinador dele, o André Podalka [treina o português em Portugal desde Maio de 2019], que vive em Lisboa. Vemos o ténis de forma muito semelhante e ele ofereceu-me esta hipótese depois de eu ter parado de acompanhar o Dutra da Silva e o Federico Coria”, começou por contar-nos Chiappari.
Só que o técnico argentino tem viajado quase todas as semanas há vários anos e pensava aproveitar esta oportunidade para parar um pouco, só que houve algo que o surpreendeu. “Na verdade no princípio eu duvidei um pouco [em aceitar] porque queria descansar um pouco de viajar, mas depois percebi que encontrei uma pessoa muito educada e competitiva, que adora esta modalidade”. César Chiappari, em Córdoba, ficou impressionado com a personalidade do João Domingues e “disse-lhe que sim” e deixa ainda a mensagem: “assim ele decida voltarei a acompanhá-lo”.
Depois de ter começado a campanha em Córdoba com uma derrota logo na estreia, Chiappari resume umas semanas “de menos a mais”. O João “começou com algumas dúvidas, mas depois o seu ténis e o seu estilo, que aprecio muito, foram florescendo e floresceram muito”. Os resultados comprovam-no: foi na última semana que o português obteve o melhor resultado.
Agora há que olhar para o futuro. “O João quando encaixar algumas coisas no seu jogo será um tenista muito bom. Tudo tem o seu tempo, há que ir somando, melhorar a cada dia e quando ele estiver preparado vai mostrar a sua melhor versão. Pode acontecer agora, pode acontecer daqui a um ano, mas tenho a certeza que vai lá chegar”, finalizou.
João Domingues vai juntando ao seu redor os melhores. A ligação a André Podelka, que treinou o antigo n.º 1 do mundo Larri Passos, foi uma prova de que o tenista marca a diferença pelo circuito e esta bonita história que hoje descobrimos vai a esse encontro. O português segue agora para a Taça Davis com a certeza que Portugal vai ter a seu dispor a melhor versão do João Domingues até agora.