A 18 de Março todas as forças do ténis anunciaram em conjunto que não há ténis até 8 de Junho. Isto quando haviam já anunciado 6 semanas de suspensão. Faltavam ainda várias semanas até ao final dessa primeira data. Parecia inviável que o circuito conseguisse regressar? Certamente.
Só que, no meio das decisões de força e das pressões de patrocinadores e organizadores, há milhares de tenistas profissionais que contam os cêntimos para sobreviverem nesta modalidade. Pagam a clubes que os recebem, treinadores, preparadores físicos, pagam as suas próprias contas, as suas despesas… sem quase mais nenhuma fonte de rendimento.
Hoje a ATP, WTA e ITF anunciaram que esses tenistas, aqueles que fazem tudo isto existir e que lhes dão esse mesmo poder, ficarão desempregados durante pelo menos 4 meses, a correr bem. Em nenhum momento foi sequer referido que as organizações estavam sequer a debater o assunto. Como é que qualquer atleta que viva fora do mundo mais luxuoso dos grandes palcos se sustenta até lá?
Que condições terão esses atletas para sobreviver? Que motivação têm para se agarrarem às suas carreiras? São milhares de profissionais, atletas, treinadores, preparadores e outros que são atirados para o desemprego. Assim, sem dó nem piedade. Como se fosse a coisa mais simples do mundo e sem uma palavra de amparo ou de conforto.
Mais uma vez os líderes da modalidade voltaram a esquecer-se, até numa altura de aproximição humana perante o abismo, que para existirem os Federer, os Nadal, as Serena, têm que existir os outros todos. Isso é e será sempre imperdoável.